O conceito de hepatite é relativamente simples, podendo ser resumido em apenas três palavras: inflamação no fígado.

A gravidade da doença varia conforme os danos ao fígado, que podem já existir à época do diagnóstico.

Dependendo do tipo de hepatite, é possível curá-la de forma simples, apenas com repouso e uma alimentação saudável e equilibrada. Por outro lado, esta poderá exigir um tratamento mais prolongado ou complicado e nem sempre levar à cura total, apesar de ser possível controlar e postergar a sua evolução.

A hepatite pode ser provocada por bactérias ou vírus, apesar de também poder ser contraída pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool, bem como alguns tipos de medicamentos e plantas.

Existem seis tipos diferentes de vírus da hepatite: A, B, C, D, E e F. Os vírus da hepatite A (HAV), da hepatite B (HBV) e da hepatite C (HCV) são os mais comuns.

As hepatites virais podem ser agudas (de curta duração) ou crônicas (de longa duração). Chama-se crônica a hepatite que não se cura ao fim de, pelo menos, 6 meses. Nesse caso, ela pode evoluir para uma lesão mais grave no fígado (cirrose) ou, em casos mais extremos, para o carcinoma hepático (câncer do fígado). No entanto, se for detectado em tempo hábil, esse tipo de hepatite pode ser acompanhado, controlado e mesmo curado, sem ser necessário fazer grandes alterações na rotina.

A maior parte dos casos de hepatite crônica não apresenta grandes sintomas, sendo as habituais queixas semelhantes às sobre uma gripe convencional. Por vezes, a cor amarelada dos olhos e da pele (icterícia), a urina escura, a falta de apetite, as náuseas, os vômitos e o cansaço poderão também denunciar uma hepatite viral.

Fontes

  1. Centers for Disease Control. Viral Hepatitis. Disponível em: http://www.cdc.gov/hepatitis/. Acessado em outubro de 2015.
  2. WebMD. Heaptitis Health Center. Disponível em: http://www.webmd.com/hepatitis/default.htm. Acessado em outubro de 2015.
  3. Patient UK. Hepatitis Directory. Disponível em: http://www.webmd.com/hepatitis/. Acessado em outubro de 2015.
  4. SOS Hepatites Portugal. Disponível em: http://www.soshepatites.org.pt. Acessado em outubro de 2015.
  5. Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado. Folhetos o que é? - Hepatite B e C. Disponível em: http://www.apef.com.pt/textos/?imr=12. Acessado em outubro de 2015.

Cuidados Especiais

O fígado é um órgão que, normalmente, não apresenta sintomas externos de deterioração. Por essa razão é que, muitas vezes, os portadores de hepatite só descobrem que sofrem da doença já numa fase complicada. Daí a importância de serem realizados mapeamentos que possibilitem a detecção do vírus no sangue (caso das hepatites virais).

√ Prevenção

  • Uma vez que, normalmente, este tipo de hepatite é transmitido por alimentos ou água contaminados por dejetos, o contágio é mais comum em países menos desenvolvidos, devido à precariedade do saneamento básico. Assim, é natural que viagens a esses países aumentem o risco de contrair a doença, por isso, as medidas de prevenção são fundamentais. Nestes países deve se evitar, por exemplo, comer comida crua ou mal passada (ostras, mariscos, etc.) e beber água da torneira.
  • Vacinação: existe uma vacina contra o vírus da hepatite A que é muito eficaz na prevenção da doença e é recomendada em algumas situações.

√ Pacientes

  • Repouso e alimentação equilibrada;
  • lavar as mãos após ir ao banheiro, antes do preparo dos alimentos e antes das refeições;
  • beber água tratada, lavar as frutas e os vegetais;
  • enquanto sofrer de hepatite A, reduzir os esforços realizados nas atividades diárias até que a sua força e energia voltem. À medida que for se sentindo melhor, volte à rotina de sempre. Do contrário, correrá o risco de voltar a ficar doente.

√ Prevenção

  • Vacinação: para a prevenção da hepatite B existe a possibilidade de vacinar-se. Caso tenha mais de 30 anos de idade, peça ao seu médico exame para detecção das hepatites A e B. Caso não tenha anticorpos destas hepatites, solicite-lhe a vacina;
  • use sempre preservativo, pois trata-se de uma doença sexualmente transmissível;
  • não compartilhe seringas;
  • se tiver de mexer em sangue, use sempre luvas de látex ou de plástico;
  • não compartilhe objetos pessoais como escovas de dentes ou lâminas de barbear.

√ Pacientes

  • Na maioria dos casos, a hepatite B desaparece por si só. No entanto, você pode aliviar os seus sintomas em casa, através de repouso, alimentação saudável, bebendo muita água e evitando o consumo de álcool ou drogas.
  • Consulte o seu médico sobre quais medicamentos ou produtos naturais deve restringir ou não, pois alguns poderão agravar os danos já provocados ao fígado pela hepatite B.

√ Prevenção

Vacinação: ainda não existe uma vacina contra a hepatite C, o melhor é optar pela prevenção. Você pode reduzir o risco de contrair a doença se tiver alguns cuidados:

  • não compartilhe seringas ou objetos pessoais, como lâminas de barbear ou escovas de dentes;
  • em caso de contato com sangue (se profissional da saúde, por exemplo), use sempre luvas de plástico ou látex e desfaça-se de seringas, ou outros objetos que possam estar contaminados, seguindo todas as medidas de segurança;
  • se fizer uma tatuagem ou colocar um “piercing”, certifique-se de que todo o equipamento foi devidamente esterilizado;
  • evite o contato com sangue contaminado;
  • sempre use preservativos nas relações sexuais

√ Pacientes

  • Procure um médico especializado em hepatite C (gastrenterologista, hepatologista ou infectologista);
  • continue com a sua rotina diária durante o tratamento;
  • leia tudo o que puder sobre a doença;
  • mantenha uma atitude positiva;
  • frequente grupos de apoio;
  • não compartilhe objetos de uso pessoal cortantes ou perfurantes, como escovas de dentes, cortador e alicate de unha ou lâminas de barbear, por exemplo;
  • sempre use luvas de plástico ou látex ao manter contato com sangue ou objetos que o contenham;
  • o uso de preservativos reduz o risco de transmissão da doença, apesar de este não ser muito frequente;
  • desinfecte as feridas que possam ocorrer e cubra-as com material adequado.

Qualquer tipo de paciente hepático deve se manter sempre atualizado sobre os novos estudos e tratamentos, e também ter um controle periódico da doença através de análises específicas.

Fontes
  1. Centers for Disease Control. Viral Hepatitis. Disponível em: http://www.cdc.gov/hepatitis/. Acessado em setembro de 2011.
  2. WebMD. Heaptitis Health Center. Disponível em: http://www.webmd.com/hepatitis/default.htm. Acessado em setembro de 2011.
  3. Patient UK. HEpatitis Directory. Disponível em: http://www.patient.co.uk/directory/hepatitis. Acessado em setembro de 2011.
  4. SOS Hepatites Portugal. Disponível em: http://www.soshepatites.org.pt. Acessado em setembro de 2011.
  5. Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado. Folhetos o que é? – Hepatite B e C. Disponível em: http://www.apef.com.pt/textos/?imr=12. Acessado em setembro de 2011.

Nutrição

Não é necessário seguir qualquer tipo de dieta alimentar especial, nem será conveniente evitar certos tipos de alimentos sob pena de desequilibrar o organismo, deixando-o com carências proteicas e vitamínicas, o que aumenta a sensação de cansaço. No entanto, há casos em que você deverá ter cuidados adicionais, daí a importância de consultar o seu médico. Por exemplo, os pacientes numa fase mais avançada da doença, como cirrose hepática, poderão cumprir uma dieta com restrição de sal.

O ideal será seguir uma dieta equilibrada que contemple todos os componentes da pirâmide alimentar. Não é necessário, por exemplo, eliminar as gorduras, mas podem evitar-se as frituras e substituir as gorduras animais por óleo de girassol, soja ou azeite.

Os pacientes com doença hepática podem beber café, mas o consumo de álcool é altamente desaconselhado (e proibido durante a fase de tratamento), já que pode favorecer a replicação do vírus e aumentar os riscos de cirrose e câncer no fígado.

Alimentos recomendados a todos os tipos de hepatite

Azeite de oliva. O melhor é o seu consumo diário. É rico em ácido oleico, capaz de manter o equilíbrio entre as gorduras saturadas e insaturadas;

Alhos e cebolas. O alho é um antibiótico natural ativo face a numerosas bactérias, vírus, fungos e parasitas, além de ser rico em vitaminas e sais minerais. A cebola é similar ao alho e rica em flavonoides, enzimas e sais minerais.

Alcachofra. Ajuda no funcionamento e desintoxicação do fígado.

Cerejas, morangos e groselhas. Contêm importantes antioxidantes e melhoram a circulação no fígado.

Agrião. Ajuda na recuperação e no bom funcionamento hepático.

Cereais integrais. Ricos em hidratos de carbono que contribuem com vitaminas do grupo B, necessárias para o bom funcionamento hepático.

Ameixa. É pobre em sódio, gorduras e proteínas, e adequada nos casos de doenças hepáticas.

Framboesa. Facilita a eliminação das substâncias que produzem as infecções.

Kiwi. É imunoestimulante pelo seu conteúdo rico em minerais e vitamina C.

Legumes e verduras com folhas verdes. Contribuem com ácido fólico, que ajuda à recuperação dos hepatócitos.

Limão. É um alimento imunoestimulante, de grande utilidade em todo tipo de infecções.

Maçã. É descongestionante do fígado.

Melão. Favorece a reposição da água e dos sais minerais, que se perdem nos casos de doenças infecciosas.

Mel. Contém frutose, que facilita a formação de glicogênio e melhora o funcionamento hepático.

Ameixas amarelas. São boas para o descongestionamento hepático.

Rabanete. De grande poder antibiótico, antiviral e imunoestimulante.

Tomate. É rico em carotenoides antioxidantes e em minerais de ação imunoestimulante.

Uvas. Contribuem com açúcares naturais e vitaminas antioxidantes, ativando a função desintoxicante. Também estimulam a produção de bílis, que descongestiona o fígado e facilita a circulação de sangue no seu interior. Facilitam o retorno do sangue do aparelho digestivo ao fígado, diminuindo a hipertensão portal.

√ Hepatite A

  • Alimentos que tenham sido preparados por uma pessoa infectada com hepatite A ou que tenha uma higiene precária.
  • Marisco cru ou mal passado. O marisco pode representar um perigo caso seja proveniente de um viveiro contaminado por água de esgotos.
  • Frutas, vegetais e saladas, ou outros alimentos que estejam crus, se manipulados por uma pessoa infectada ou lavados com água imprópria para consumo.
  • Frutas que tenham estado em contato com a terra, como, por exemplo, morangos.
  • Água da torneira ou água não tratada, incluindo gelo produzido por água em más condições.
  • Consumo de produtos lácteos não pasteurizados.

√ Hepatite B e C

A maioria das pessoas que sofrem com hepatite B ou C são aconselhadas a adotar uma dieta alimentar saudável e equilibrada, sendo o consumo de bebidas alcoólicas desaconselhado a qualquer paciente com infecção no fígado, pois o álcool aumenta o risco e a velocidade de desenvolvimento da cirrose hepática.

Alimentos a evitar em todos os tipos de hepatites.

  • Alimentos fritos. Não são recomendáveis pela riqueza em gorduras que oxidam pelo calor da fritura.
  • Alimentos refinados. Debilitam as defesas orgânicas ao privar-nos de nutrientes importantes. É o caso, por exemplo, do açúcar refinado.
  • Queijos e carne defumados.
  • Açúcares. Todos eles, em excesso, conseguem diminuir a resposta imunitária face às infecções.
  • Bebidas alcoólicas. São altamente prejudiciais para o fígado. A abstinência deve ser total.
  • Embutidos. Não são recomendados porque contêm gorduras saturadas, sal e proteínas em abundância.
  • Chocolate. Contém açúcares e gorduras em abundância.
  • Leite e derivados. Sobretudo os integrais, pois exigem do fígado um esforço adicional, não recomendado em casos de alterações hepáticas.
  • Manteiga, fígado de animais e laticínios gordurosos. A vitamina A que esses alimentos contêm pode acumular-se e aumentar a inflamação do fígado.
  • Sal. Deve-se limitar o seu consumo ou evitá-lo completamente.
Fontes
  1. Centers for Disease Control. Viral Hepatitis. Disponível em: http://www.cdc.gov/hepatitis/. Acessado em setembro de 2011.
  2. WebMD. Heaptitis Health Center. Disponível em: http://www.webmd.com/hepatitis/default.htm. Acessado em setembro de 2011.
  3. Patient UK. HEpatitis Directory. Disponível em: http://www.patient.co.uk/directory/hepatitis. Acessado em setembro de 2011.
  4. SOS Hepatites Portugal. Disponível em: http://www.soshepatites.org.pt. Acessado em setembro de 2011.
  5. Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado. Folhetos o que é? – Hepatite B e C. Disponível em: http://www.apef.com.pt/textos/?imr=12. Acessado em setembro de 2011.

Exercício Físico

A hepatite é, geralmente, acompanhada por uma sensação de fadiga intensa. Então, para lutar contra o cansaço, aconselha-se uma alimentação equilibrada, beber água regularmente, dormir bem e preencher o dia a dia e o tempo livre com atividades e projetos estimulantes.

Se em caso de hepatite aguda o repouso é recomendado, na hepatite crônica é aconselhada a prática de exercício físico. Além de aumentar o fluxo sanguíneo no fígado, o exercício tem ainda a vantagem de estimular a produção de colesterol HDL (o chamado colesterol “bom”) e de eliminar os excessos de colesterol LDL (o chamado colesterol “mau”).

No que diz respeito a esportes radicais, consulte sempre o seu médico.

Fontes
  1. Centers for Disease Control. Viral Hepatitis. Disponível em: http://www.cdc.gov/hepatitis/. Acessado em setembro de 2011.
  2. WebMD. Heaptitis Health Center. Disponível em: http://www.webmd.com/hepatitis/default.htm. Acessado em setembro de 2011.
  3. Patient UK. HEpatitis Directory. Disponível em: http://www.patient.co.uk/directory/hepatitis. Acessado em setembro de 2011.
  4. SOS Hepatites Portugal. Disponível em: http://www.soshepatites.org.pt. Acessado em setembro de 2011.
  5. Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado. Folhetos o que é? – Hepatite B e C. Disponível em: http://www.apef.com.pt/textos/?imr=12. Acessado em setembro de 2011.